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Petrobras reduz preço da gasolina para compensar alta de impostos; diesel também cai

 

Em decisão negociada com governo nesta segunda-feira (27), a Petrobras anunciou corte de 3,9% no preço da gasolina em suas refinarias. A medida ajuda a compensar o retorno dos impostos federais sobre o combustível.

Segundo a estatal, a gasolina em suas refinarias passará a custar R$ 3,18 por litro a partir desta quarta (1º), quando os impostos federais voltam a ser cobrados. O valor é R$ 0,13 por litro inferior ao vigente atualmente.

O preço do diesel também será reduzido, em 1,9%. A partir desta quarta, o produto sairá das refinarias da estatal ao preço médio de R$ 4,02 por litro, R$ 0,08 abaixo do valor vigente até esta terça-feira.

“Essas reduções têm como principal balizador a busca pelo equilíbrio dos preços da Petrobras aos mercados nacional e internacional, através de uma convergência gradual, contemplando as principais alternativas de suprimento dos nossos clientes e a participação de mercado necessária para a otimização dos ativos”, disse a empresa.

A redução do preço foi negociada em reuniões entre o comando da estatal e representantes do governo nesta segunda. O secretário-executivo da Fazenda, Gabriel Galípolo, chegou a viajar ao Rio de Janeiro para se reunir com diretores da companhia.

A reunião contou também com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, que depois divulgou nota dizendo que o encontro debateu “previsões para os preços futuros dos combustíveis”.

A nota destaca “o papel fundamental da Petrobras na busca de soluções para o país ao longo da história da empresa, além de reafirmar o valor e o respeito dado pelo Governo Federal à independência e às devidas regras de governança seguidas pela empresa”.

O uso da estatal para minimizar o impacto da volta dos impostos foi confirmada no fim da noite pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que afirmou que a política de preços da empresa tem um “colchão”, que permite reduzir ou elevar os preços. “Ele pode ser usado”, disse.

O mercado de combustíveis, porém, não via espaço para redução neste momento, embora os preços internos estejam acima das cotações internacionais. A avaliação é que o mercado externo tem tendência altista no segundo trimestre, com a formação de estoques para o verão no Hemisfério Norte.

Em sua última projeção, do início de fevereiro, a EIA (Agência de Informações em Energia do governo dos Estados Unidos) projetava alta de 2,5% no preço médio da gasolina nos postos americanos no segundo trimestre.

O impacto dos cortes nas bombas, porém, é bem inferior ao valor dos impostos federais antes da desoneração. Considerando que a gasolina vendida nas bombas tem 27% de etanol, o corte da Petrobras representa queda de R$ 0,10 por litro no preço final.

Os impostos federais sobre os combustíveis representavam R$ 0,69 por litro. O governo ainda não anunciou quais serão as novas alíquotas.

Na avaliação dos analistas do banco Goldman Sachs, a Petrobras passa a vender gasolina com defasagem de 11% em relação à cotação do Golfo do México, nos Estados Unidos, após o corte de preços nas refinarias.

Em 2022, dizem, o desconto médio foi de 14%. Mesmo com os cortes, afirmam os analistas Bruno Amorim, João Frizo e Guilherme Costa Martins, as margens de refino da empresa permanecem em níveis saudáveis.

Para o Itaú BBA, o cenário de uso da Petrobras para mitigar a alta com o retorno dos impostos joga atenção sobre a futura política de preços da estatal, já que ainda não está claro quais seriam as alternativas à paridade de importação.

“Qualquer proposta que sugira desconectar os preços domésticos da paridade de importação representaria grandes mudanças na lucratividade da companhia”, escreveram os analistas Monique Greco, Bruna Amorim e Eric de Mello.

 

Nicola Pamplona/Folhapress

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