Brasil

Origem de expressões do cotidiano brasileiro, Iorubá é ensinado em curso para iniciantes

“Acarajé”, “gogó”, “Arembepe”, ou até mesmo a palavra “axé” são termos e expressões oriundas da língua Iorubá-Nagô. Apesar de serem presentes no cotidiano brasileiro, principalmente do baiano, a origem dos dizeres é pouco conhecida pelos falantes – assim como formas de fala como o “vumbora”, derivada do Iorubá “Mo mb? wa” (que significa “estou indo”).
Apresentar essa origem e ensinar o idioma é justamente um dos objetivos de um curso ministrado pelo professor Adelson Silva de Brito, o intensivo “Lições de Língua Iorubá-Nagô para Iniciantes”, que teve na infância, na Salvador da década de 1960, uma introdução à língua, falada pelos idosos negros do seu bairro.

A ideia do projeto é oferecer aos inscritos conteúdos relacionados ao cotidiano Iorubá-Nagô, tanto na África quanto nas várias comunidades Iorubás. A metodologia inclui a realização de cinco aulas e a disposição de vídeos, textos, notícias diversas, literatura, análises de provérbios e outros materiais que fixem o aprendizado.

Trazida para o Brasil nos corpos das pessoas da diáspora africana vindas da costa ocidental do continente – de localidades que hoje pertencem a países como Sudão, a própria Nigéria, Benin, Burkina Faso, Costa do Marfim, Gana, Guiné e Togo -, o dialeto teve a nomenclatura inicial de “Nagô”, por conta do povo que o falava, chamado aqui pelo mesmo nome da língua. “Hoje, a língua Nagô é chamada de Iorubá ou Ioruba-Nagô, e a parte da África ocidental antigamente chamada de kàrò-ojíire, é hoje conhecida como Terra Iorubá”, aponta o docente.

Atualmente, no país, inúmeros terreiros de Candomblé de nação Queto (ou Nagô) difundem a língua em seus ritos e em suas práticas religiosas. Elas assumem participações centrais na vida dos praticantes. Mas, para além disso, o Iorubá é uma língua conversacional como o Inglês ou o Espanhol.

Na Bahia, em especial, uma questão chama a atenção: além da relação histórica com o povo Nagô, o estado é considerado, desde 2018, a Capital Iorubá para todas as Américas – alcunha que foi declarada pelo rei Adeyeye Babatunde Ogunwusi II, da cidade histórica de Ile-Ifé, em visita oficial ao Brasil.

“É dessa conjuntura que nasceu no seio das comunidades Iorubá-Nagô da Bahia o interesse pelo intercâmbio com as comunidades originais em África e a percepção de que existe um universo vivo e pulsante rico em cultura, teatro, música, literatura e religião em língua Iorubá. Todos, por isso, querem aprender”, justifica Adelson.

Para ele, “o curso traz a oportunidade de inclusão de uma língua que eleva a autoestima do afrodescendente ao nível de cidadania indentitária, e lhe dá a certeza da riqueza da sua cultura, única e motivadora para seu orgulho e independência”.

Diferentemente da divisão entre laicidade e religião praticada na cultura ocidental, segundo o professor, o Iorubá tem como um dos pilares o culto à ancestralidade como uma prática de conexão com a experiência vitoriosa de antepassados. “O ocidental resolveu classificar essa filosofia de vida como religião, não restando alternativa ao Ioruba-Nagô”, classificou.

O curso “Lições de Língua Iorubá-Nagô para Iniciantes” acontece entre os dias 24 de setembro e 22 de outubro, com aulas semanais (toda quinta-feira, das 16h às 18h) no formato on-line e carga horária de 20 horas, com direito a certificação, promovido pelo Gabinete Português de Leitura (GPL), em Salvador. A inscrição custa R$ 100 e pode ser realizada nas plataformas Sympla e Eventbrite

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