Brasil

Coronavírus avança 250% em três meses na Terra Yanomami e relatório cita ‘total descontrole’

Dados levantados por lideranças Yanomami e Ye’kwana e rede de pesquisadores estimam que 10 mil indígenas podem ter sido expostos ao vírus. Entre agosto e outubro, número de infectados saltou de 335 para 1.202, conforme o documento.
Relatório inédito produzido por uma rede de pesquisadores e líderes Yanomami e Ye’kwana indica que a pandemia de coronavírus avançou 250% em três meses dentro da Terra Indígena Yanomami e um em cada três moradores da região pode ter sido contaminado. A situação é descrita como “total descontrole.”

Maior reserva indígena do Brasil, a Terra Yanomami fica entre os estados de Roraima e Amazonas, e em boa parte da fronteira com a Venezuela. Mais de 26,7 mil índios – incluindo grupos isolados – habitam a região em cerca de 360 aldeias.

O número de casos confirmados no território saltou de 335 para 1.202 entre agosto e outubro, conforme o documento intitulado “Xawara: rastros da Covid-19 na Terra Indígena Yanomami e a omissão do Estado”.

Monitoramento da ONG Rede Pró-Yanomami e Ye’kwana, que integra o relatório, contabiliza 23 mortes, entre confirmados e suspeitos de Covid-19, de indígenas da etnia.

Os primeiros casos da doença na região foram registrados em abril na terra Yanomami. No mesmo mês, o adolescente Alvanei Xirixana, de 15 anos, foi a primeira vítima fatal da doença. Ele ficou internado por seis dias no Hospital Geral de Roraima, em Boa Vista.
Até a divulgação do relatório, os casos da doença tinham sido registrados em 23 das 37 regiões da terra indígena. O cenário se agrava em razão da presença de garimpeiros na reserva. Líderes indígenas afirmam que eles são os principais vetores da doença entre o povo. “É o garimpo ilegal que está levando essa nova xawara [doença] para dentro da floresta.”
“Há casos confirmados de contaminação em 23 das 37 regiões da TIY e, como o isolamento social entre os moradores é impraticável nas aldeias, é possível que aproximadamente 10 mil Yanomami e Ye’kwana já estejam expostos ao novo coronavírus, em um universo de cerca de 27 mil pessoas, ou seja, mais de um terço da população total, evidenciando uma situação de total descontrole.”, destaca trecho do documento.

Fonte: G1

Para cima