Comissão de Agricultura da Alba analisa defesa agropecuária da Bahia

Comissão de Agricultura da Alba analisa defesa agropecuária da Bahia

O apoio à Defesa Agropecuária na Bahia foi o tom da Audiência Pública realizada pela Comissão de Agricultura e Política Rural da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) na manhã desta terça-feira (19). O encontro semipresencial reuniu entidades públicas e privadas relacionadas à agricultura e pecuária para debater sobre o Plano Estratégico para o Combate à Febre Aftosa até 2026 e as Ações de Prevenção Contra a Monilíase do Cacaueiro, segmentos de importância econômica e fundamentais para o agronegócio e a agricultura familiar no estado.
Proposta pela Deputada Estadual Jusmari Oliveira, a audiência contou com as presenças do Secretário de Agricultura da Bahia, João Carlos Oliveira e do diretor geral da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), Oziel Oliveira, além de Guilherme Moura, representando a Federação da Agricultura do Estado da Bahia (Faeb) e Altair Santana, pela Superintendência Federal da Agricultura (SFA-Ba) e Conselho Regional de Medicina Veterinária da Bahia (CRMB-Ba). Também esteve presente o diretor da Agência de Defesa de Roraima, Kelton Lopes que veio ao estado para trocar experiências com a autarquia baiana.

Ao conduzir o início das atividades, a deputada ressaltou o papel da Alba em ampliar diálogos na “busca do entendimento para apontar a boa política em prol da agropecuária baiana”. Segundo Jusmari Oliveira é preciso fortalecer a defesa agropecuária da Bahia, abrindo os espaços públicos para que todos conheçam o trabalho deste segmento que certifica os produtos do campo e geram emprego e renda para milhares de famílias em todo o território. Sob o mesmo ponto de vista, o secretário de Agricultura, João Carlos Oliveira destacou que “vivemos um grande momento no setor e, exatamente por isso, temos que construir parcerias para avançar nos processos de qualificação da agropecuária na Bahia”. Segundo ele, este sempre foi o principal papel da Adab, autarquia que fez uma história de pioneirismo e sucesso, servindo de referência nas ações de defesa em todo o Brasil.
Representando a Faeb, Guilherme Moura enfatizou que a Adab “é a guardiã da agropecuária na Bahia e, portanto, merece a devida atenção, respeito e cuidados por parte dos governos, com o estabelecimento de um plano de ação estruturado e organizado para cumprir com seu papel de proteger o setor”. Para Altair Santana, que representou a SFA-Ba e o CRMV-Ba, ao incrementar as ações da Adab, o estado propicia o alcance de mercados importantes para diversos outros produtos da economia e não apenas da agropecuária. “Estamos lutando pelo status de Zona Livre de Aftosa Sem Vacinação, pela fitossanidade dos vegetais, pela inspeção de produtos com selo de certificação, mas, acima de tudo, pela proteção da economia baiana”, frisou, ressaltando que para fazer defesa agropecuária na Bahia é necessário investir em recursos humanos e tecnológicos.
Antes de dar início aos temas da Audiência Pública, o diretor geral da Adab, Oziel Oliveira lembrou que o objetivo da Audiência Pública foi fazer exposição do Programa Nacional de Erradicação da Febre Aftosa na Bahia e fazer apresentação das principais ações desenvolvidas pela Adab. N ocasião ele solicitou apoio dos parlamentares para o fortalecimento da Agência de Defesa Agropecuária, colocando a autarquia mais próxima do setor produtivo e da sociedade baiana já que nos últimos 20 anos a Bahia se tornou referência no Brasil em defesa agropecuária. “Crescemos em grãos, na fruticultura, na agricultura familiar, na pecuária e tudo isso só pode ter continuidade com uma agência fortalecida e valorizada porque sem defesa agropecuária não se produz e nem se exporta”.
Importância econômica

O primeiro tema apresentado na Audiência Pública foi o “Plano Estratégico para Combate à Febre Aftosa até 2026 na Bahia”. Há 24 anos o estado está livre da doença e, ainda assim, segue imunizando seu rebanho de mais de 11 milhões de bovinos e bubalinos duas vezes ao ano. A Bahia faz parte do Bloco IV, conjunto de 11 estados que estão pleiteando a suspensão da vacinação junto ao Ministério da Agricultura (Mapa), uma vez que os índices vacinais vêm sendo mantidos acima dos 90% em todo o estado. “Isso significa redução de custos de produção para o criador e possibilidade de novos investimentos em defesa agropecuária”, explicou o coordenador do Programa Nacional de Erradicação da Febre Aftosa na Bahia (PNEFA-Ba), José Neder. Segundo ele, a Bahia segue em posição privilegiada no ranking de metas estabelecidas pelo PNEFA, com cerca de 87% das ações concluídas. “A suspensão da vacina vai exigir um sistema de defesa ainda mais eficiente e condizente com o tamanho do segmento baiano”, disse Neder, destacando o resultado da auditoria do MAPA, divulgado na manhã de ontem (18) na Faeb no qual a Bahia atingiu a média 2,6 do total de 5,0 pontos exigidos pelo MAPA.

No âmbito da fitossanidade a Adab também se destaca de maneira positiva. Desde 2007 o estado atua no Programa de Controle da Monilíase, que contempla ações de educação fitossanitária, capacitação técnica, identificação de pontos de ingresso e rotas de risco, além de levantamentos de detecção da praga e Cursos de Emergência. Para a coordenadora do Programa, Catarina Cotrim, a defesa fitossanitária é mais eficiente quando feita preventivamente. “Nosso risco de dispersão da praga é alto, devido às linhas de tráfego aéreo e rodoviário que ligam nosso Estado e dos corredores fitossanitários, por onde escoa a produção nacional de cacau em direção ao parque moageiro no município de Ilhéus”, informou a coordenadora.

Segundo ela, são 72 mil propriedades distribuídas em mais de 10 Territórios de Identidade, inclusive nas regiões Oeste e Semiárido, com 403 mil hectares cultivados e uma produção de 111,4 mil toneladas. Catarina informou que cada tonelada de amêndoas de cacau que se deixa de produzir corresponde a uma perda de 2,2 postos de trabalho, “sendo que o negócio cacau chocolate representa anualmente R$ 3,4 bilhões de renda circulante e R$ 296 milhões em arrecadações de impostos diretos para o Estado da Bahia”, salientou a fiscal da Adab, lembrando que, diante deste cenário, as medidas preventivas adotadas ao longo dos anos pela Adab precisam agora de um reforço.

Fonte: Sesab

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