Caixa Econômica e Banco do Brasil ameaçam deixar Febraban

Caixa Econômica e Banco do Brasil ameaçam deixar Febraban

A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil ameaçam deixar a Febraban, entidade que representa os bancos no país, caso ela oficialize adesão a um manifesto articulado por Paulo Skaf, presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).
O documento, que ainda está sendo redigido e que deve ser publicado nos próximos dias, mostra preocupação com a escalada da crise entre os Poderes, pede pacificação e defende as reformas.

O possível desembarque foi antecipado pelo jornal O Globo e confirmado pela Folha.

Nos últimos dias, Skaf enviou a entidades e sindicatos mensagens pedindo assinaturas ao manifesto. No texto, segundo antecipou o Painel S.A., ele diz que “mais do que nunca, o momento exige aproximação e cooperação entre Legislativo, Executivo e Judiciário e ações para superar a pandemia e consolidar o crescimento econômico e a geração de empregos”.

Segundo pessoas que acompanham a elaboração do documento, nenhum poder é citado especificamente, mas todos, simultaneamente. A Folha apurou que as versões redigidas até o momento não citam o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ou qualquer outra autoridade.

O Planalto, no entanto, está incomodado com as manifestações contrárias à gestão Bolsonaro feitas por empresários nas últimas semanas. A avaliação é que o setor empresarial subiu o tom.
Causaram mais descontentamento ainda manifestações críticas feitas por banqueiros e executivos do alto escalão de instituições financeiras, tanto as de caráter reservado quanto -e, principamente- as que ocorreram de forma pública. Além de assinarem manifestos, alguns chegaram a dar entrevistas questionando a gestão Bolsonaro.

Segundo um integrante do governo, a avaliação é que bancos não podem adotar posicionamentos políticos –e o manifesto da Fiesp é interpretado como um documento de oposição ao governo Boslonaro. Sendo assim, a adesão da Febraban ao documento, caso de fato ocorra, é considerado “um absurdo”.

Segundo pessoas do governo que acompanham a discussão, um dos principais articuladores do desembarque é Pedro Guimarães, presidente da Caixa, que tem relacionamento muito próximo a Bolsonaro e seus filhos.

O ministro Paulo Guedes (Economia) e Bolsonaro estão cientes do movimento.

Caso a Febraban decida aderir ao movimento considerado político, a avaliação é que seria natural que os bancos públicos deixassem a entidade, nas palavras de um integrante do governo.
Já faz alguns meses que as posições do setor financeiro desagradam a integrantes do governo. Causou estranhamento que num manifesto de apoio ao sistema eleitoral -alvo de críticas e ameaças do presidente- constassem nomes do setor financeiro, como Moreira Salles, do Itaú Unibanco. Também não foi bem recebido que executivos dessem entrevistas com críticas, caso de José Olympio Pereira, presidente do Credit Suisse no Brasil.

Em evento realizado na XP na última semana, grandes nomes das finanças também demonstraram insatisfação com o presidente da República e sua gestão. O presidente do Verde Asset Management, Luis Stuhlberger, chamou Bolsonaro de “fraco” e “refém do centrão” ao comentar a dificuldade em se aprovar a Reforma Tributária.

Carlos Kawall, ex-secretário do Tesouro e diretor da ASA Investments, disse que o que está sendo feito de errado agora na economia servirá para contratar um “pibinho” no ano que vem.

Fonte: Bahia Noticia Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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