Banco Central diminui previsão de crescimento e projeta alta de 3,6% do PIB em 2021

Banco Central diminui previsão de crescimento e projeta alta de 3,6% do PIB em 2021

O Banco Central (BC) revisou sua previsão de crescimento do PIB para baixo e agora projeta uma alta de 3,6% em 2021. A projeção anterior, de dezembro, era de 3,8%. A informação foi divulgada nesta quinta-feira no Relatório Trimestral de Inflação.
A reavaliação do BC considera que o PIB do quarto trimestre de 2020 foi bom e os números de atividade de janeiro e fevereiro continuam mostrando um movimento de recuperação, mas ainda não captam os efeitos do recrudescimento da pandemia. Com isso, a incerteza sobre o ritmo de crescimento continua “elevada”, de acordo com o BC.

A autoridade monetária apontou que o primeiro semestre deste ano poderia registrar um “recuo moderado” na atividade econômica por conta do aumento de números de casos e mortes de Covid-19 e das medidas de distanciamento social adotadas em várias cidades e estados. Esse recuo, no entanto, seria menor do que o registrado em 2020.

“Esse processo de agravamento recente da crise sanitária possivelmente interrompe ou atrasa a recuperação da atividade econômica. De fato, dados de alta frequência já apontam recuo da mobilidade nos municípios mais atingidos pela alta recente nos casos de Covid-19” — aponta o documento.
A segunda metade do ano seria de “recuperação relevante” com a ampliação da vacinação. A expectativa é que as vacinas diminuam o número de casos graves, reduzindo a pressão sobre o sistema de saúde e permitindo “uma abertura mais rápida da economia”.

“Considerando os planos de vacinação e a oferta de vacinas existentes até o momento, espera-se que os impactos econômicos sejam mais perceptíveis no segundo semestre, em especial nos serviços presenciais, que têm sido mais fortemente afetados pela pandemia”.

Com essas perspectivas, o BC ainda ressaltou que o crescimento de 3,6% considera a manutenção do regime fiscal atual e depende do avanço das reformas econômicas no país.
“Ressalte-se que essa perspectiva está condicionada à continuidade do processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira, condição essencial para permitir a recuperação sustentável da economia” — diz o relatório.
Se a projeção do BC se concretizar, o país ainda não estará totalmente recuperado do tombo de 4,1% no PIB de 2020.

Com essa revisão, a expectativa do BC se aproxima mais das expectativas do mercado financeiro, que apontam para um crescimento de 3,22% em 2021, de acordo com o relatório Focus.
Inflação
Como já tinha apontado na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o BC aumentou a estimativa de inflação para 2021 de 3,4% em dezembro para 5%. Se for concretizada, a inflação ficará acima do centro da meta para o ano, que é de 3,75%, mas dentro do intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo (2,25% a 5,25%).

A revisão acompanhou o registro que veio bem acima do esperado em fevereiro e o sucessivo aumento nas projeções do mercado. A expectativa atual é que o IPCA fique em 4,71% ao final do ano, de acordo com o relatório Focus.

Fonte: O Globo

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